sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Liquidez no Mercado Imobiliário: O Que o Cenário Atual Está Nos Ensinando

A liquidez no mercado imobiliário sempre foi um tema central para investidores, incorporadoras e compradores finais — afinal, entender quando e por que um imóvel vende mais rápido é essencial para posicionar estratégias e expectativas. Hoje, esse tema se torna ainda mais relevante diante de um cenário macroeconômico que tem impactado diretamente a dinâmica do setor.

O impacto dos juros altos na liquidez

Nos últimos anos, o Brasil passou por um ciclo de juros elevados, com a taxa Selic atingindo patamares structurelamente altos (acima de 13% ao ano) para controlar a inflação — um dos maiores patamares em mais de uma década.

Esse ambiente de juros altos afetou vários segmentos do mercado:

  • Financiamento imobiliário encarecido: as taxas de empréstimos para compra de imóveis, embora ainda abaixo da Selic, subiram para faixas que tensionam o orçamento das famílias e diminuem o público elegível para crédito tradicional.

  • Demanda reprimida: famílias de classe média e compradores fora de programas sociais enfrentaram maior dificuldade de acesso ao crédito, reduzindo o poder de compra em segmentos econômicos e médios.

  • Liquidez segmentada: imóveis de alto padrão têm mostrado resiliência por dependerem menos de financiamento; já o segmento médio sofre com maiores exigências de entrada e custos de juros.

Por conta disso, alguns segmentos perderam liquidez — não porque a demanda deixou de existir, mas porque o custo e a barreira do crédito retraíram compradores potenciais que dependem de financiamento. Isso não quer dizer que o mercado “parou”, mas que a velocidade de negociação ficou mais seletiva e segmentada.

Crédito mais barato como catalisador de liquidez

A boa notícia é que o mercado já começou a precificar a possibilidade de redução da Selic em 2026. Especialistas estimam que a cada ponto percentual de queda na taxa básica, milhares de famílias voltariam a ter acesso ao crédito imobiliário, aumentando a demanda por imóveis financiados.

Quando o crédito fica mais barato:

  • A liquidez tende a se acelerar, pois mais compradores conseguem entrar no mercado.

  • A oferta em estoque tende a andar mais rápido, reduzindo o tempo de venda de unidades prontas ou em construção.

  • Os preços podem subir em um efeito dominó: maior demanda por financiamento gera maior competição entre compradores, pressionando preços para cima ao contrário do que muitos imaginam quando apenas pensam em queda de juros.

  • O mercado como um todo tende a se recuperar de segmentos que hoje estão mais lentos, pois o financiamento passa a ser mais viável para famílias de renda média.

Esse movimento de queda dos juros e expansão do crédito não apenas acelera liquidez, mas também muda a dinâmica de formação de preços — consumidores dispostos a pagar mais por imóveis com financiamento acessível acabam empurrando valores para cima em vez de para baixo.

Liquidez e formação de preços: uma relação não linear

É importante entender que liquidez e formação de preços não se movem de forma linear. Em períodos de juros elevados, a liquidez pode ficar reduzida não porque não exista demanda, mas porque o custo de financiamento efetivamente exclui parte significativa dos compradores.

Quando essa barreira começa a recuar, a demanda reprimida pode se liberar e, ao mesmo tempo, aumentar a pressão sobre os preços por conta de uma competição maior por imóveis disponíveis — até que a oferta se ajuste ou novos projetos entrem no mercado.

Conclusão

A liquidez no mercado imobiliário é afetada tanto por fatores macroeconômicos quanto por fatores micro de produto, localização e estratégia de oferta. Os juros altos recentes limitaram o acesso ao crédito e reduziram a velocidade de vendas em segmentos dependentes de financiamento, mas a expectativa de queda da Selic e retorno de crédito mais barato pode:

🟢 Destravar demanda reprimida
🟢 Acelerar liquidez em segmentos parados
🟢 Puxar preços para cima — em vez de para baixo — em um efeito dominó
🟢 Reconfigurar oportunidades para investidores e compradores finais

Entender o ciclo recente do mercado imobiliário é essencial para tomar decisões estratégicas

Não é novidade – o ciclo que vivemos agora já se repetiu antes no mercado imobiliário brasileiro. Em momentos de juros elevados, com a Selic em patamares altos, o crédito se torna mais caro e seletivo, e boa parte da liquidez do setor fica fortemente condicionada às formas de pagamento, prazos e parcelamentos oferecidos pelos incorporadores e construtoras, e não ao desempenho orgânico do mercado em si.

A história se repete: incorporadoras e construtoras conseguem vender com mais velocidade quando atuam na planta e oferecem condições atrativas de entrada e financiamento direto ou facilitado; já os investidores com unidades prontas ou em estoque enfrentam dificuldades maiores para realizar seus ativos e converter estoques em caixa. Isso ocorre porque a liquidez no mercado imobiliário, especialmente no setor residencial, não é puxada por simples expectativa de preços altos, mas pela capacidade de viabilização financeira dos compradores, que no atual cenário enfrentam juros altos no crédito imobiliário, tornando mais difícil a compra tradicional com financiamento.

Enquanto a Selic permanece elevada em níveis altos, as condições de crédito acabam por manter boa parte da demanda reprimida — especialmente para imóveis de padrão médio, que dependem de financiamento mais acessível. Os compradores que ainda conseguem participar do mercado muitas vezes o fazem apoiados nas condições de pagamento facilitadas pelos próprios lançamentos, e não pela força natural de tração do mercado.

O resultado é um quadro em que investidores com estoques de imóveis acumulam unidades sem liquidez imediata. Eles não são responsáveis por gerar as condições de venda — essa função tem sido desempenhada majoritariamente pelas incorporadoras, que moldam seu fluxo de vendas com base em estratégias de preço, entrada e prazo. No atual contexto de juros elevados, o mercado em si não está tracionando sozinho, e sim sendo “empurrado” pela forma de pagamento e incentivo à entrada.

Por outro lado, a expectativa de queda da Selic em 2026 e o consequente barateamento do crédito imobiliário têm potencial para alterar esse equilíbrio:

  • A redução dos juros tende a destravar a demanda reprimida, permitindo que mais compradores consigam financiamento e aumentando o número de transações efetivas.

  • Isso não só acelera a liquidez, mas pode iniciar um movimento em que a maior participação de compradores eleva a competição por unidades disponíveis, pondo pressão para valores subirem em vez de caírem — um efeito que age como um “dominó contrário” ao que muitos esperam quando pensam somente na queda de juros.

Ou seja: o crescimento do mercado não acontece porque os preços naturalmente explodiram, mas porque as condições de crédito, pagamento e expectativa de juros favorecem transações, especialmente na ponta de quem compra na planta. E se a Selic começar a cair, a tendência é que essa dinâmica se amplifique, aliviando parte da pressão sobre a liquidez dos estoques acumulados pelos investidores.

Entender esse ciclo — onde o protagonismo do financiamento e das condições de pagamento muitas vezes dita a velocidade de vendas — é essencial para quem quer navegar estrategicamente no mercado imobiliário, em vez de simplesmente esperar que os preços caiam sem considerar o papel dos juros e do crédito no longo prazo.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Quando o padrão sobe, o acesso diminui — mesmo sem crise aparente.

 O padrão sobe mais rápido do que a renda

O encarecimento do mercado imobiliário não é apenas uma questão de preço. Ele é, cada vez mais, uma questão de exigência.

Ao longo dos ciclos, o mercado não apenas reajusta valores — ele redefine o que é considerado aceitável. E quando o padrão mínimo sobe, o acesso diminui. É assim que o mercado exclui sem anunciar exclusões.

Ao analisar o comportamento do setor ao longo de aproximadamente 26 anos e cerca de cinco ciclos imobiliários completos, fica claro que o movimento atual é diferente. Não estamos diante apenas de um ciclo de alta. Estamos diante de um ciclo de reconfiguração estrutural do produto imobiliário.


Quando o topo muda, o mercado inteiro se move

Poucos lugares no Brasil permitem visualizar essa transformação com tanta clareza quanto Balneário Camboriú.

No ano 2000, um dos empreendimentos mais notórios da cidade — referência absoluta de alto padrão à época — era o Edifício Pietro Zanella.

Pietro Zanella – Ano 2000

  • 3 dormitórios (3 suítes)

  • 2 vagas de garagem

  • 3 banheiros

  • 187,89 m² de área privativa

  • 217,39 m² de área total

  • Aproximadamente 20 pavimentos

O edifício representa com precisão o padrão do seu tempo:
fachada em pastilha, grandes janelões, volumetria imponente, áreas comuns com piso e revestimentos cerâmicos, planta generosa em metragem, porém com aproveitamento funcional limitado se comparado às soluções atuais.

A área de lazer, adequada para os anos 2000, hoje é considerada extremamente modesta frente ao que o mercado passou a entregar.

E aqui está o ponto central: isso era o topo do mercado.


Do edifício ao ecossistema vertical

Quando comparamos esse padrão com o que hoje o mercado entrega como seu ápice — representado por projetos como o Senna Tower — não estamos falando de uma simples evolução estética ou de altura.

Estamos falando de uma mudança de função do imóvel na cidade.

O melhor projeto atual não é apenas residencial. Ele é:

  • símbolo arquitetônico

  • ativo financeiro

  • experiência de marca

  • instrumento de proteção de mercado

O edifício deixa de ser apenas um lugar para morar e passa a ser um ecossistema vertical, com áreas comuns que rivalizam (ou superam) a metragem privativa, serviços, lazer completo, tecnologia, sustentabilidade e narrativa internacional.


O que realmente mudou — e por que isso exclui

1️⃣ A metragem deixou de ser o principal argumento

Antes, luxo era tamanho.
Hoje, luxo é projeto, conceito e posicionamento.

Apartamentos menores passaram a custar múltiplos de imóveis antigos maiores, não porque entregam mais espaço, mas porque entregam significado.

2️⃣ A área comum virou protagonista

O lazer deixou de ser complemento.
Piscina virou complexo.
Hall virou experiência.
Área comum virou argumento de valorização e defesa de preço.

3️⃣ Plantas mais eficientes — e mais caras

A redução da metragem não democratizou o acesso.
Ela viabilizou o aumento do valor do metro quadrado, mantendo o ticket “psicológico” enquanto exige mais renda real.

4️⃣ O topo protege o mercado

Projetos de altíssimo padrão funcionam como barreiras de entrada.
Eles elevam o patamar da incorporação, afastam concorrentes despreparados e reposicionam toda a régua de preço do entorno.


A ironia do ciclo

Há uma ironia silenciosa que poucos gostam de admitir.

Quando entrei no mercado imobiliário, uma pessoa com renda em torno de R$ 4.200 comprava apartamentos de 70 m² privativos.

Hoje, essa mesma faixa de renda — quando ainda consegue acessar o mercado — paga caro para morar em 45 m².
Menos espaço. Mais custo. Mais exigências.

O mercado não encareceu apenas porque os preços subiram.
Ele encareceu porque o padrão mínimo aceitável deixou de existir.


O ciclo excludente em ação

Quando o topo sobe rápido demais, ele puxa todo o mercado.
Mesmo quem não compra no topo paga a conta.

Balneário Camboriú não é uma exceção isolada. Ela é um laboratório avançado de um movimento que se espalha por todo o país:
um cluster urbano sofisticado, saturado, altamente competitivo, que atrai capital de outros estados — inclusive de regiões litorâneas onde investidores preferem apostar no “novo” do que reinvestir no próprio território.

O nível de exigência força o mercado a agir.
E agir rápido significa:

  • encarecer

  • sofisticar

  • excluir

Não por maldade.
Mas por lógica econômica.


Conclusão

O ciclo mais excludente do mercado imobiliário não é marcado apenas por juros, preços ou crédito.
Ele é marcado pela mudança do que o mercado considera aceitável entregar.

E quando o aceitável sobe, o acesso diminui.

Entender isso não é pessimismo.
É leitura de padrão.

E padrão, como o mercado ensina todos os ciclos, não mente.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Aluguel dispara no Brasil e comprar imóvel pode ficar ainda mais caro: entenda o ciclo

Com a Selic alta, o custo de morar sobe mais rápido que o preço dos imóveis — e quem espera pode pagar duas vezes.

O custo de morar no Brasil está mudando — e rápido

O brasileiro está sentindo no bolso algo que os números já confirmam: morar de aluguel está ficando mais caro em um ritmo muito mais acelerado do que comprar um imóvel.

Dados recentes do Índice FipeZap de Locação Residencial mostram que os aluguéis acumulam altas anuais superiores a dois dígitos, enquanto os preços de venda dos imóveis avançam de forma mais moderada. Em outras palavras, o aluguel pressiona o orçamento mensal antes que o imóvel próprio encareça na mesma proporção.

Esse movimento não é pontual. Ele acontece em praticamente todas as capitais e regiões monitoradas, sem registros relevantes de queda. O mercado de locação está aquecido — e isso tem uma explicação clara.


A Selic alta muda o jogo da moradia

O principal fator por trás dessa escalada é a taxa de juros.
Quando a Selic permanece elevada, o financiamento imobiliário se torna mais caro, mais seletivo e menos acessível. Com isso, muitas famílias acabam adiando a compra do imóvel não por escolha, mas por limitação de crédito.

O efeito é imediato:
➡️ Menos pessoas comprando
➡️ Mais pessoas disputando imóveis para alugar
➡️ Aluguel sobe rapidamente

É um ciclo clássico do mercado imobiliário brasileiro: juros altos drenam a liquidez da compra e empurram a demanda para a locação, pressionando preços e reajustes anuais.

Quem permanece no aluguel passa a enfrentar aumentos frequentes, muitas vezes acima da inflação, enquanto continua aguardando “o melhor momento” para comprar.


E quando os juros caírem?

Aqui está o ponto que poucos observam.

Quando a Selic começa a cair, as vendas reagem rápido. Existe hoje um mercado comprador represado, pronto para entrar assim que o crédito melhora. Isso tende a gerar aceleração nos preços de venda, principalmente em lançamentos e imóveis bem localizados.

Já o aluguel não cai.
Ele até desacelera, mas continua subindo, pois a demanda por moradia não desaparece.

Ou seja:

  • No ciclo de juros altos, o aluguel dispara.

  • No ciclo de juros baixos, a compra acelera e o aluguel segue firme.

Quem espera demais corre o risco de pegar o pior dos dois mundos:
📈 aluguel caro agora
📈 imóvel mais caro depois


Por que a urgência em comprar faz sentido hoje

Comprar um imóvel em um cenário de juros elevados pode parecer contraintuitivo — mas, em muitos casos, é exatamente o contrário.

Ao comprar agora, o comprador:
✔ trava o preço do imóvel
✔ reduz a exposição a reajustes constantes de aluguel
✔ entra em um contrato que pode ser melhorado no futuro com portabilidade ou renegociação
✔ se posiciona antes da próxima aceleração do mercado

Enquanto isso, quem adia continua pagando aluguel crescente, sem previsibilidade e sem construção de patrimônio.


Conclusão: o ciclo está claro

O mercado imobiliário não se move por acaso.
Ele responde a juros, crédito, renda e tempo.

Hoje, o aluguel sobe mais rápido porque comprar ficou difícil.
Amanhã, comprar ficará mais difícil porque os preços terão reagido.

O momento exige leitura de ciclo, não espera passiva.

Quem entende esse movimento age antes.
Quem ignora, paga mais — para morar e para comprar.

O mercado imobiliário não quebra.
Ele seleciona.

E, neste ciclo, o custo de esperar pode ser maior do que o custo de decidir.



segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O preço assusta. O tempo ensina.

 


Eu tenho 15 anos de mercado imobiliário.

Mas moro há 43 anos e meio em um mesmo lugar: o tempo.

E é nele que as maiores lições sobre imóveis não aparecem em planilhas, mas na vida real.

Lembro como se fosse hoje: 2004.
Minha mãe foi chamada como “feliz contemplada” em um projeto da Cohab, em Londrina.

Ela participou de assembleias, fez cadastro, enfrentou fila, papelada, ansiedade.
Era autônoma e conseguiu aprovar crédito para 15 anos, com uma simples declaração do empregador da época — algo que hoje parece impensável.

Ela pôde escolher uma casa.

O valor da primeira parcela? R$ 180,00.
O salário mínimo? R$ 260,00.

Morávamos de aluguel no centro por R$ 150,00.
A casa nova ficava longe.
Não tinha torneira, não tinha tomadas, não tinha muro.

E o pensamento que rondava a cabeça era o mesmo que eu escuto até hoje no mercado:

“Será que vale a pena?”
“Será que vai dar certo pagar?”

Além da parcela, tinha o vale-transporte de três pessoas.
O conforto diminuiu. O aperto aumentou.

Mas o tempo… ah, o tempo começou a trabalhar.

Quinze anos passaram voando.

Em 2019, minha mãe recebeu o recibo de quitação e deu entrada no registro definitivo da casa em seu nome.

Aquela casa que custava R$ 25 mil, que era “longe”, “pequena” e “cara para a época”, hoje está em um terreno de 250 m², com apenas 60 m² de construção.

Em 2004, era pouco.
Hoje, daria para construir duas casas no mesmo terreno — vendendo cada uma por algo próximo de R$ 300 mil.

O que mudou?

O imóvel?
Ou o tempo?


Alguns anos depois, já atuando no mercado, lembro das minhas primeiras vendas no Minha Casa Minha Vida, no Spazio Le Parc, da MRV Engenharia, também em Londrina.

Preço do apartamento: R$ 82 mil.
Entrada: 24 parcelas de R$ 200.
Financiamento: R$ 400 por mês, em 25 anos.
Subsídio: R$ 15 mil.

Salário mínimo da época: R$ 510.
Renda familiar ideal: R$ 1.240.

Comprar sozinho era difícil.
Muita gente comprou com irmão, primo, parceiro, amigo.

Mas quem comprou… entrou na primeira onda.

Se compararmos na régua do tempo, foram apenas 6 anos entre a casa da minha mãe (60 m² por R$ 25 mil) e um apartamento de 48 m² por R$ 82 mil.

Parecia caro.
Sempre parece.

Hoje, essas pessoas estão além da metade do financiamento quitado, pagando algo em torno de R$ 300 a R$ 320 de parcela.

Enquanto isso, o aluguel desses mesmos imóveis está entre R$ 1.200 e R$ 1.350.
E o valor de mercado varia de R$ 210 mil a R$ 250 mil.

De novo, o que fez a diferença?

Não foi o preço.
Foi o timing.


Eu gosto de uma tese simples, quase incômoda:

O preço não importa tanto quanto o momento.

Às vezes você compra algo mais caro, sim.
Mas o enquadramento está favorável.

  • Prazo diluído

  • Entrada parcelada

  • Subsídio disponível

  • Benefício federal ativo

  • Juros compatíveis com sua renda

  • E, principalmente, o mercado ainda no início da curva

Isso não é sorte.
Isso é orientação correta.

Quem espera o “preço ideal” geralmente entra atrasado.
Quem entende o tempo, entra enquanto ainda há escolha.

O mercado imobiliário não quebra.
Ele seleciona.

Seleciona quem entendeu o ciclo.
Quem aceitou o aperto temporário.
Quem trocou conforto imediato por patrimônio futuro.

Se hoje você olha para trás e pensa
“se eu tivesse comprado naquela época…”

Saiba: essa frase sempre se repete.
Só muda a data.

E alguém, no futuro, vai olhar para agora e dizer exatamente a mesma coisa.

A única pergunta real é:

👉 Você vai ser quem observa… ou quem entra no tempo certo?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

O ciclo mais excludente do mercado imobiliário

 Em 2010, quando fui tentado a entrar no mercado imobiliário, eu já tinha alguma leitura do setor. Aluguel subia, comprar imóvel era sonho e segurança patrimonial, mas até 2006 não me recordo de valorizações galopantes. Pelo contrário: o imóvel era relativamente barato — porém inacessível. Faltava crédito. E no mercado imobiliário, é inegável: vende-se financiamento, o imóvel vai junto.

Nos primeiros escritórios em que trabalhei, convivendo com corretores experientes e agentes influentes, ouvi muito sobre o “ciclo de 7 anos”. Não cravo esse número, mas a lógica é real: o mercado imobiliário faz uma gangorra histórica com o mercado de capitais. O Brasil alterna longos períodos de Selic alta e baixa. Quando o juro sobe, o dinheiro flerta com a B3; quando cai, migra para o tijolo. Esse movimento é natural e recorrente.

Hoje, temos Selic elevada, mercado se desdobrando para vender — mas isso é crise? Não. Pelo contrário. A demanda segue firme. Como perito, afirmo: grandes oportunidades sempre nascem em momentos de tensão. Achei que viveríamos agora um ciclo clássico de estoque elevado, retração e correção. Não aconteceu.

As mudanças estruturais no Minha Casa Minha Vida, somadas ao aumento real de renda na base, mantiveram o mercado aquecido. Estoques estão controlados, construtoras apresentam bons números e o setor opera saudável mesmo com juros altos.

Mas a conta chega.

A Selic deve recuar nos próximos anos. E já existe um mercado represado, pronto para acelerar preços. O aluguel subiu e exige retorno proporcional ao capital investido. Fundos e investidores institucionais já se movimentam, arrematando grandes ativos para capturar esse próximo ciclo.

E é aqui que ele se torna o mais excludente da história.

Hoje, um salário mínimo ainda consegue acessar um imóvel — às vezes na terceira tabela, com prazo longo e parcela ajustada. Mas quem espera fica para trás. Quatro meses após o lançamento, o preço sobe, o prazo encurta e a conta não fecha. O próximo lançamento é mais caro ainda. Mesmo com subsídio, chega um ponto em que não dá.

O mercado não quebra. Ele seleciona.

Quem não compra hoje paga aluguel amanhã para quem acreditou agora. E a cada mês de espera, o imóvel fica mais distante — em preço, em prazo e em acesso.

A pergunta é simples:
você vai se espelhar nos investidores qualificados e surfar essa onda?
Ou vai esperar até ser definitivamente excluído do jogo?



O imóvel não sobe porque quer. Ele sobe porque você consegue pagar.

Há uma simplificação recorrente — e sedutora — no debate imobiliário: se o juro cai, o preço sobe; logo, se o juro sobe, o preço deveria cai...