quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

O ciclo mais excludente do mercado imobiliário

 Em 2010, quando fui tentado a entrar no mercado imobiliário, eu já tinha alguma leitura do setor. Aluguel subia, comprar imóvel era sonho e segurança patrimonial, mas até 2006 não me recordo de valorizações galopantes. Pelo contrário: o imóvel era relativamente barato — porém inacessível. Faltava crédito. E no mercado imobiliário, é inegável: vende-se financiamento, o imóvel vai junto.

Nos primeiros escritórios em que trabalhei, convivendo com corretores experientes e agentes influentes, ouvi muito sobre o “ciclo de 7 anos”. Não cravo esse número, mas a lógica é real: o mercado imobiliário faz uma gangorra histórica com o mercado de capitais. O Brasil alterna longos períodos de Selic alta e baixa. Quando o juro sobe, o dinheiro flerta com a B3; quando cai, migra para o tijolo. Esse movimento é natural e recorrente.

Hoje, temos Selic elevada, mercado se desdobrando para vender — mas isso é crise? Não. Pelo contrário. A demanda segue firme. Como perito, afirmo: grandes oportunidades sempre nascem em momentos de tensão. Achei que viveríamos agora um ciclo clássico de estoque elevado, retração e correção. Não aconteceu.

As mudanças estruturais no Minha Casa Minha Vida, somadas ao aumento real de renda na base, mantiveram o mercado aquecido. Estoques estão controlados, construtoras apresentam bons números e o setor opera saudável mesmo com juros altos.

Mas a conta chega.

A Selic deve recuar nos próximos anos. E já existe um mercado represado, pronto para acelerar preços. O aluguel subiu e exige retorno proporcional ao capital investido. Fundos e investidores institucionais já se movimentam, arrematando grandes ativos para capturar esse próximo ciclo.

E é aqui que ele se torna o mais excludente da história.

Hoje, um salário mínimo ainda consegue acessar um imóvel — às vezes na terceira tabela, com prazo longo e parcela ajustada. Mas quem espera fica para trás. Quatro meses após o lançamento, o preço sobe, o prazo encurta e a conta não fecha. O próximo lançamento é mais caro ainda. Mesmo com subsídio, chega um ponto em que não dá.

O mercado não quebra. Ele seleciona.

Quem não compra hoje paga aluguel amanhã para quem acreditou agora. E a cada mês de espera, o imóvel fica mais distante — em preço, em prazo e em acesso.

A pergunta é simples:
você vai se espelhar nos investidores qualificados e surfar essa onda?
Ou vai esperar até ser definitivamente excluído do jogo?



2 comentários:

  1. Então é hora de olhar um financiamento e comprar um imóvel ?

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  2. É a hora de comprar independente de ser financiado ou não, mas sempre analisando que, alguns produtos vão performar e outros não, e ambos podem ser parecidos e com o mesmo preço. Me chama que eu te oriento para o melhor caminho :D

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