segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O preço assusta. O tempo ensina.

 


Eu tenho 15 anos de mercado imobiliário.

Mas moro há 43 anos e meio em um mesmo lugar: o tempo.

E é nele que as maiores lições sobre imóveis não aparecem em planilhas, mas na vida real.

Lembro como se fosse hoje: 2004.
Minha mãe foi chamada como “feliz contemplada” em um projeto da Cohab, em Londrina.

Ela participou de assembleias, fez cadastro, enfrentou fila, papelada, ansiedade.
Era autônoma e conseguiu aprovar crédito para 15 anos, com uma simples declaração do empregador da época — algo que hoje parece impensável.

Ela pôde escolher uma casa.

O valor da primeira parcela? R$ 180,00.
O salário mínimo? R$ 260,00.

Morávamos de aluguel no centro por R$ 150,00.
A casa nova ficava longe.
Não tinha torneira, não tinha tomadas, não tinha muro.

E o pensamento que rondava a cabeça era o mesmo que eu escuto até hoje no mercado:

“Será que vale a pena?”
“Será que vai dar certo pagar?”

Além da parcela, tinha o vale-transporte de três pessoas.
O conforto diminuiu. O aperto aumentou.

Mas o tempo… ah, o tempo começou a trabalhar.

Quinze anos passaram voando.

Em 2019, minha mãe recebeu o recibo de quitação e deu entrada no registro definitivo da casa em seu nome.

Aquela casa que custava R$ 25 mil, que era “longe”, “pequena” e “cara para a época”, hoje está em um terreno de 250 m², com apenas 60 m² de construção.

Em 2004, era pouco.
Hoje, daria para construir duas casas no mesmo terreno — vendendo cada uma por algo próximo de R$ 300 mil.

O que mudou?

O imóvel?
Ou o tempo?


Alguns anos depois, já atuando no mercado, lembro das minhas primeiras vendas no Minha Casa Minha Vida, no Spazio Le Parc, da MRV Engenharia, também em Londrina.

Preço do apartamento: R$ 82 mil.
Entrada: 24 parcelas de R$ 200.
Financiamento: R$ 400 por mês, em 25 anos.
Subsídio: R$ 15 mil.

Salário mínimo da época: R$ 510.
Renda familiar ideal: R$ 1.240.

Comprar sozinho era difícil.
Muita gente comprou com irmão, primo, parceiro, amigo.

Mas quem comprou… entrou na primeira onda.

Se compararmos na régua do tempo, foram apenas 6 anos entre a casa da minha mãe (60 m² por R$ 25 mil) e um apartamento de 48 m² por R$ 82 mil.

Parecia caro.
Sempre parece.

Hoje, essas pessoas estão além da metade do financiamento quitado, pagando algo em torno de R$ 300 a R$ 320 de parcela.

Enquanto isso, o aluguel desses mesmos imóveis está entre R$ 1.200 e R$ 1.350.
E o valor de mercado varia de R$ 210 mil a R$ 250 mil.

De novo, o que fez a diferença?

Não foi o preço.
Foi o timing.


Eu gosto de uma tese simples, quase incômoda:

O preço não importa tanto quanto o momento.

Às vezes você compra algo mais caro, sim.
Mas o enquadramento está favorável.

  • Prazo diluído

  • Entrada parcelada

  • Subsídio disponível

  • Benefício federal ativo

  • Juros compatíveis com sua renda

  • E, principalmente, o mercado ainda no início da curva

Isso não é sorte.
Isso é orientação correta.

Quem espera o “preço ideal” geralmente entra atrasado.
Quem entende o tempo, entra enquanto ainda há escolha.

O mercado imobiliário não quebra.
Ele seleciona.

Seleciona quem entendeu o ciclo.
Quem aceitou o aperto temporário.
Quem trocou conforto imediato por patrimônio futuro.

Se hoje você olha para trás e pensa
“se eu tivesse comprado naquela época…”

Saiba: essa frase sempre se repete.
Só muda a data.

E alguém, no futuro, vai olhar para agora e dizer exatamente a mesma coisa.

A única pergunta real é:

👉 Você vai ser quem observa… ou quem entra no tempo certo?

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