Eu tenho 15 anos de mercado imobiliário.
Mas moro há 43 anos e meio em um mesmo lugar: o tempo.
E é nele que as maiores lições sobre imóveis não aparecem em planilhas, mas na vida real.
Lembro como se fosse hoje: 2004.
Minha mãe foi chamada como “feliz contemplada” em um projeto da Cohab, em Londrina.
Ela participou de assembleias, fez cadastro, enfrentou fila, papelada, ansiedade.
Era autônoma e conseguiu aprovar crédito para 15 anos, com uma simples declaração do empregador da época — algo que hoje parece impensável.
Ela pôde escolher uma casa.
O valor da primeira parcela? R$ 180,00.
O salário mínimo? R$ 260,00.
Morávamos de aluguel no centro por R$ 150,00.
A casa nova ficava longe.
Não tinha torneira, não tinha tomadas, não tinha muro.
E o pensamento que rondava a cabeça era o mesmo que eu escuto até hoje no mercado:
“Será que vale a pena?”
“Será que vai dar certo pagar?”
Além da parcela, tinha o vale-transporte de três pessoas.
O conforto diminuiu. O aperto aumentou.
Mas o tempo… ah, o tempo começou a trabalhar.
Quinze anos passaram voando.
Em 2019, minha mãe recebeu o recibo de quitação e deu entrada no registro definitivo da casa em seu nome.
Aquela casa que custava R$ 25 mil, que era “longe”, “pequena” e “cara para a época”, hoje está em um terreno de 250 m², com apenas 60 m² de construção.
Em 2004, era pouco.
Hoje, daria para construir duas casas no mesmo terreno — vendendo cada uma por algo próximo de R$ 300 mil.
O que mudou?
O imóvel?
Ou o tempo?
Alguns anos depois, já atuando no mercado, lembro das minhas primeiras vendas no Minha Casa Minha Vida, no Spazio Le Parc, da MRV Engenharia, também em Londrina.
Preço do apartamento: R$ 82 mil.
Entrada: 24 parcelas de R$ 200.
Financiamento: R$ 400 por mês, em 25 anos.
Subsídio: R$ 15 mil.
Salário mínimo da época: R$ 510.
Renda familiar ideal: R$ 1.240.
Comprar sozinho era difícil.
Muita gente comprou com irmão, primo, parceiro, amigo.
Mas quem comprou… entrou na primeira onda.
Se compararmos na régua do tempo, foram apenas 6 anos entre a casa da minha mãe (60 m² por R$ 25 mil) e um apartamento de 48 m² por R$ 82 mil.
Parecia caro.
Sempre parece.
Hoje, essas pessoas estão além da metade do financiamento quitado, pagando algo em torno de R$ 300 a R$ 320 de parcela.
Enquanto isso, o aluguel desses mesmos imóveis está entre R$ 1.200 e R$ 1.350.
E o valor de mercado varia de R$ 210 mil a R$ 250 mil.
De novo, o que fez a diferença?
Não foi o preço.
Foi o timing.
Eu gosto de uma tese simples, quase incômoda:
O preço não importa tanto quanto o momento.
Às vezes você compra algo mais caro, sim.
Mas o enquadramento está favorável.
-
Prazo diluído
-
Entrada parcelada
-
Subsídio disponível
-
Benefício federal ativo
-
Juros compatíveis com sua renda
-
E, principalmente, o mercado ainda no início da curva
Isso não é sorte.
Isso é orientação correta.
Quem espera o “preço ideal” geralmente entra atrasado.
Quem entende o tempo, entra enquanto ainda há escolha.
O mercado imobiliário não quebra.
Ele seleciona.
Seleciona quem entendeu o ciclo.
Quem aceitou o aperto temporário.
Quem trocou conforto imediato por patrimônio futuro.
Se hoje você olha para trás e pensa
“se eu tivesse comprado naquela época…”
Saiba: essa frase sempre se repete.
Só muda a data.
E alguém, no futuro, vai olhar para agora e dizer exatamente a mesma coisa.
A única pergunta real é:
👉 Você vai ser quem observa… ou quem entra no tempo certo?

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