quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

O Banco Ama Quando Você Espera.

Todo dia um desavisado sai de casa e um banco abre as portas.
Quando os dois se encontram, nasce um contrato.


A pesquisa divulgada pela Brain Inteligência Estratégica revela um retrato muito claro do momento atual: o mercado imobiliário brasileiro não está em retração — está em reorganização. E essa reorganização acontece justamente às vésperas de um novo ciclo monetário.

Com o Banco Central do Brasil sinalizando início de queda da Selic já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, entramos em um ponto de inflexão. A pergunta deixa de ser “o mercado vai reagir?” e passa a ser “quem vai reagir primeiro?”


1. O MCMV como Motor do Mercado

Os números são contundentes:

  • 53% das unidades lançadas no 3º trimestre de 2025 foram MCMV

  • 57% das unidades vendidas pertencem ao programa

  • Estoque recuou 1,4%, totalizando 390.247 unidades

O Minha Casa Minha Vida consolidou-se como o verdadeiro estabilizador do mercado.

Isso indica três coisas:

  1. A demanda reprimida de baixa renda continua extremamente ativa.

  2. Crédito direcionado e subsídio seguem sendo decisivos.

  3. Incorporadoras organizadas estão priorizando giro de estoque.

Com a perspectiva de queda de juros, o MCMV tende a ganhar ainda mais tração, principalmente nas faixas intermediárias, que hoje ainda sentem o peso da taxa.


2. O Consumidor Está Cauteloso, Mas Não Paralisado

A pesquisa mostra que:

  • 46% avaliaram os últimos 12 meses como piores.

  • 77% acreditam que sua situação pessoal vai melhorar ou permanecer igual.

Isso é fundamental: o brasileiro não está pessimista estruturalmente — ele está aguardando sinal verde.

E esse sinal pode ser justamente a redução da Selic.

Há ainda um dado relevante:
74% acreditam que os imóveis ficarão mais caros nos próximos 12 meses (48% “mais caros” + 26% “muito mais caros”).

Ou seja, o consumidor já espera valorização. Isso costuma antecipar decisões de compra.


3. Selic: O Gatilho do Próximo Movimento

O último ciclo consistente de queda da Selic coincidiu com o boom imobiliário impulsionado pela pandemia. Juros baixos ampliaram:

  • Capacidade de financiamento

  • Apetite por imóveis como proteção patrimonial

  • Migração de capital da renda fixa para ativos reais

Se o Banco Central iniciar de fato o ciclo de corte, três movimentos devem ocorrer simultaneamente:

  1. Aumento do poder de compra via financiamento.

  2. Reprecificação de ativos imobiliários.

  3. Migração gradual de investidores da renda fixa para renda imobiliária.

O mercado não reage no último corte — reage no primeiro sinal claro.


4. Fundos Imobiliários: O Dinheiro Inteligente Está se Movendo

Os fundos imobiliários e veículos de investimento voltaram a concentrar alocação em:

  • Galpões logísticos

  • Imóveis comerciais

  • Ativos geradores de renda

Isso revela uma leitura estratégica: o investidor institucional está antecipando retomada econômica e reocupação corporativa.

O ciclo é clássico:

  1. Primeiro o capital institucional se posiciona.

  2. Depois o investidor pessoa física acompanha.

  3. Por fim, o comprador final entra com financiamento mais barato.

Estamos entre o estágio 1 e 2.


5. O Aluguel Como Indicador Antecedente

O aluguel voltou a subir acima da média histórica e já representa performance mínima superior a 0,5% ao mês sobre o valor de venda.

Isso muda completamente a equação:

  • Rentabilidade imobiliária começa a competir com renda fixa.

  • Investidores voltam a enxergar fluxo mensal relevante.

  • Pressão de demanda para compra tende a crescer.

Historicamente, quando o aluguel sobe antes do preço de venda, ocorre ajuste posterior nos valores de aquisição.


6. Geração Z: Alta Dependência de Crédito

Entre 22 e 28 anos:

  • 50% dependem totalmente de financiamento.

  • Comprometem em média 43% da renda.

  • Principal barreira é entrada (48%).

Isso significa que qualquer redução de juros tem impacto direto na conversão dessa geração.

E há um detalhe comportamental relevante:

51% da Geração Z já comprou algo influenciada por redes sociais, sendo o Instagram dominante.

O processo de decisão está cada vez mais digital — mas o fechamento continua financeiro.


7. Clima e Infraestrutura: Novo Vetor de Valorização

70% notam aumento de temperatura.

Calor excessivo e enchentes começam a gerar deslocamentos residenciais.

Isso introduz uma variável pouco explorada no valuation tradicional:
infraestrutura urbana resiliente passa a ser diferencial competitivo.

Bairros com drenagem eficiente, arborização e planejamento tendem a capturar prêmio de valorização.


8. Tendências para 2026

Com base na pesquisa e nos sinais macroeconômicos:

1️⃣ Metragens menores no luxo

Menos área, mais qualidade, melhor localização.

2️⃣ Mercado de capitais como fonte estratégica

Incorporadoras buscarão funding estruturado.

3️⃣ Nichos específicos

Senior living, co-branded, projetos com identidade clara.

4️⃣ Consolidação

Empresas desorganizadas terão dificuldade em sobreviver ao novo ciclo.


A Leitura Estratégica do Momento

Estamos diante de um cenário de:

  • Estoque controlado

  • Expectativa de valorização

  • Aluguel em alta

  • Crédito prestes a melhorar

  • Investidor institucional já se movimentando

Isso não caracteriza euforia.

Caracteriza pré-ciclo.

Se o corte da Selic se confirmar, o mercado entra em fase de aceleração gradual no segundo semestre de 2026, com maior intensidade em 2027.


Conclusão: O Mercado Está Antecipando

A pesquisa da Brain não aponta aquecimento imediato explosivo — aponta reorganização estratégica.

O mercado imobiliário brasileiro é cíclico.

E ciclos começam silenciosamente.

O último grande boom aconteceu quando poucos acreditavam que aconteceria.

A diferença agora é que os indicadores estão mais claros:

  • Aluguel reagindo

  • Investidor institucional se posicionando

  • Estoque controlado

  • Expectativa de alta de preços

  • Selic sinalizando queda

Agora pense comigo.

Durante décadas, os bancos usaram o nosso dinheiro para ganhar com juros.

Você deposita.
Eles emprestam.
Eles lucram.

E muitas vezes, lucram cobrando juros elevados justamente de quem mantém o sistema de pé.

Nos últimos anos vimos fintechs, bancos digitais e instituições financeiras envolvidas em crises, escândalos, intervenções e questionamentos regulatórios. Nomes como Banco Master, BRK Financeira, Will Bank e tantas outras mostraram que o sistema financeiro moderno não é tão imune quanto parece.

O risco não desapareceu.
Ele apenas mudou de embalagem.

E enquanto isso, a história mostra algo muito mais antigo que qualquer fintech:

Em momentos de incerteza, as pessoas correm para ativos reais.

Imóveis atravessaram:

  • Guerras

  • Crises cambiais

  • Planos econômicos

  • Inflação crônica

  • Reformas monetárias

E continuaram sendo o porto seguro patrimonial.

A pergunta agora é simples — e incômoda:

Você vai continuar entregando seu capital para o sistema financeiro multiplicar em cima de você?

Ou vai usar o crédito enquanto ele existe, travar preço antes do ciclo virar e transformar juros em patrimônio?

Porque quando a Selic cai:

  • O banco lucra menos com você.

  • O imóvel tende a se valorizar.

  • O poder de compra aumenta.

  • E o capital inteligente migra.

Historicamente, quem comprou imóvel antes da massa perceber o movimento não apenas preservou patrimônio — ampliou.

Quem esperou “clarear” demais o cenário, comprou mais caro.

O mercado imobiliário não é apenas sobre moradia.

É sobre soberania patrimonial.

E ciclos não avisam quando começam.
Eles só recompensam quem entendeu antes.

Se o dinheiro sempre trabalhou para os bancos…

Talvez esteja na hora de fazê-lo trabalhar para você.

Porque no fim, não é sobre taxa de juros.

É sobre quem controla o seu patrimônio.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

O imóvel não sobe porque quer. Ele sobe porque você consegue pagar.

Há uma simplificação recorrente — e sedutora — no debate imobiliário: se o juro cai, o preço sobe; logo, se o juro sobe, o preço deveria cai...