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Fundos e ciclos do mercado imobiliário brasileiro

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O ponto de partida O melhor eixo para o seu artigo é este: o dinheiro de fundos não é “dinheiro paciente” por natureza; é dinheiro com mandato, prazo, custo, governança e rota de saída . O tema ganhou urgência porque o caso Banco Master deixou o mercado mais sensível a riscos de documentação, marcação patrimonial, governança e supervisão. Em fevereiro de 2026, a CVM criou um grupo de trabalho específico para analisar informações relacionadas ao Grupo Master, à REAG e entidades conexas; em março, a autarquia informou que os fatos que culminaram na liquidação do Banco Master e da REAG suscitaram reflexão institucional e envolviam, no perímetro da CVM, indícios de irregularidades em ofertas públicas, reavaliações patrimoniais desarrazoadas, manipulação de mercado e uso de documentação inidônea para lastrear ativos.  Esse enquadramento ajuda a responder, com mais precisão, perguntas como “quais fundos nunca saem”, “quais nunca entram” e “por que eles somem de uma hora para outra”. No m...

O perito rural não avalia apenas terra: avalia água, relevo, silêncio e mentira bem contada

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No mercado rural, muita gente olha uma fazenda e enxerga hectares. O perito observa a mesma área e faz outras perguntas: onde a água se acumula? De onde vêm os ventos? Quem produz no entorno? Por qual motivo o corretor começou a se justificar antes mesmo de ser questionado? A diferença entre preço e valor, no campo, quase sempre está nos detalhes que não aparecem de forma evidente na matrícula. A NBR 14653-3 é a referência técnica para avaliação de imóveis rurais e seus componentes, mas a boa avaliação exige mais do que aplicar uma norma. Exige leitura territorial, experiência de campo e capacidade de interpretar sinais que passam despercebidos em uma negociação comum. A avaliação rural, portanto, não pode ser reduzida à conta simplista de “tantos hectares vezes determinado valor por hectare”. Terra rural tem comportamento, vocação, limitações e riscos. Quem ignora isso compra área. Quem entende isso avalia patrimônio. 1. A cota da pista: quando a estrada funciona também como barr...

Elevação do Nível do Mar, Saturação do Subsolo e Reprecificação do Espaço Urbano: Novos Paradigmas para o Planejamento e Avaliação Imobiliária nas Cidades Costeiras Brasileiras

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Resumo A “cota 10” — faixa altimétrica até 10 metros acima do nível médio do mar — representa uma zona de vulnerabilidade progressiva nas cidades costeiras brasileiras. Embora não implique submersão imediata e total, essa faixa está exposta a um risco composto que se multiplica: elevação relativa do nível do mar (RSLR), subsidência antropogênica e natural, elevação do lençol freático, compound flooding (inundação composta), intrusão salina e erosão costeira. Projeções indicam elevação global média de 18–30 cm até 2050 e 50–100 cm ou mais até 2100, dependendo do cenário de emissões, com amplificação local significativa em áreas como Recife devido à subsidência. Este artigo revisa a base científica, analisa casos emblemáticos brasileiros, discute impactos hidrogeotécnicos invisíveis (principalmente a saturação do subsolo) e explora as repercussões no mercado imobiliário. Propõe um novo paradigma de avaliação: a resiliência hidrogeotécnica e climática como variável central de precificação...